terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

EU SOU GENTE! E GOSTO DE GENTE!



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Faz exatamente um mês  nos mudamos para uma casa que é  a última de uma série de simpáticos sobrados em uma rua tranquila e muito arborizada. e somos  praticamente os últimos moradores da rua, pois ainda há mais uma casa na esquina que nem se vê, escondida que está atrás de uma muralha. Também não temos  nenhum vizinho de frente pois do outro lado da rua há apenas um muro alto.  Essa localização faz com que  tenhamos poucos vizinhos próximos  e o que é pior, nossa casa também tem portão eletrônico, como a maioria das outras casas da rua.

Sempre achei os portões eletrônicos das residências um convite ao isolamento. Por causa desses benditos portões  um vizinho não vê a cara do outro vizinho por dias e dias a fio! Antes mesmo de imbicar o carro no entrada da garagem aciona-se o controle e o portão como que num passe de mágica corre sobre o trilho e o carro entra rapidamente!  De dentro do carro-  e de costas -   aperta-se novamente o controle e  lá vai o portão sozinho.

Eu gostava mais do tempo em quem as casas  precisavam de pessoas de carne e osso para abrir ou fechar as trancas ou cadeados dos portões, ainda que isso significasse molhar-se um pouco com a chuva algumas vezes. Hoje, cada vez mais instalam-se portões eletrônicos apenas para os carros feitos de  grades altas sob  cercas eletrificadas,  ou então fortes portões de ferro - eletrônicos, claro - que abrindo-se e fechando-se entre altos muros escondem as fachadas.

Está certo que esses portões modernos aliados às câmeras de segurança que vigiam  24 horas por dia e às antipáticas campainhas eletrônicas que nos fazem ficar como bobos falando com a parede,  são males necessários. Eu bem sei que há  bandidos por toda parte!  Mas  isso não diminui minha chateação ao ver a   cordialidade entre vizinhos desaparecendo por causa da criminalidade. Mas...

Mas não é apenas a criminalidade que afasta as pessoas umas das outras.  É também o mal do presente século que nos faz cada vez mais parecer cada vez menos com GENTE: a individualidade. Sim, ela é também a  causa de querermos mais e  mais  privacidade e aí... Ái do vizinho que por carência social vier "xeretar" nossa vida no  portão de nossas casas!  Logo damos uma resposta polida, e seca, e com uma desculpa qualquer corremos para dentro de nossas "fortalezas" , isso quando não nos damos ao menos o trabalho de  atender o interfone, já que a câmera dedo-duro entrega quem é o tal visitante inoportuno.

Os portões eletrônicos impedem frases afáveis como:
- Oi vizinha, tudo bem com você?
- Seu cachorrinho melhorou?
- O que foi que aconteceu com seu carro? Vi que está com a lateral amassada...
- Como está quente ultimamente, não? Isso abaixa minha pressão de uma maneira que mal consigo trabalhar...
- Você soube que vão construir um novo supermercado na avenida?
- Espera aí,,que já vou te ajudar com as compras!

Portões eletrônicos nos tornam "ilhas" no meio de outras "ilhas"!

Não quero ser uma ilha, e por isso decidimos meu marido e eu, que também não quer,  adotar algumas medidas que facilitarão possíveis  "Boa tarde, vizinha, como vai?" ou quem sabe arriscar um "Que tal  uma tarde destas tomar um café comigo?":

  • Meu marido não lavará o carro dentro da garagem e sim na frente de casa, na rua mesmo.
  • Ao chegarmos em casa durante o dia deixaremos nosso carro do lado de fora se ainda formos usá-lo.
  • Varrerei a calçada  (sempre é preciso varrer as folhas que caem todos os dias  nas calçadas de Maringá!) quando notar que há mais alguma vizinha  varrendo a sua. É um jeito de quem sabe, puxar um  papo com ela. 
  • Colocaremos o lixo para fora ainda de dia, ao invés de colocá-lo na calada da noite. .  
  • Cumprimentaremos também, cordialmente,  as pessoas que  passarem na frente de nossa casa quando estivermos  do lado de dentro do portão (sem fingir que não estamos percebendo a aproximação de alguém, como é costume de alguns).
  • E vamos acenar para os vizinhos quando os virmos chegando e saindo de suas casas em seus carros ou à pé (ainda que a pé seja coisa rara hoje em dia).

Encontrar pessoas e falar com elas nos faz ser  mais parecidos com GENTE!  E não é bem isso o que somos? Segundo o dicionário Aulete:  Gente é um "ser humano por oposição a um ser de outra espécie". E o ser humano é por natureza um ser gregário, que vive em coletividade e nela se protege e se apoia e de quebra,  se diverte!

Não deixemos os  "portões eletrônicos" de nossas casas e de nossos corações  "fecharem" as possibilidades para novos amigos, porque...


"MELHOR É O VIZINHO PRÓXIMO DO QUE O IRMÃO DISTANTE".
Pv 27.10



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