quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

E AGORA ISABEL? A FESTA ACABOU, A LUZ APAGOU, O POVO SUMIU, A NOITE ESFRIOU...


Se me perguntarem: " E agora Isabel, que a festa acabou?" Eu responderei: 

-  O que acabou foram apenas "os comes e bebes", os doces, os papéis de presente espalhados pela sala, os convidados que se foram, a música animada, mas não a minha festa. Esta continuará todos os dias porque eu tenho o  "dono da festa" habitando em mim! JESUS habita em mim! JESUS  transforma meus dias sombrios em dias de esperança  e meus dias de alegria em dias de júbilo!  

JESUS é DEUS e só isso basta para que  minha alma esteja em FESTA todos os dias!

E quanto a você "José"Tua festa acabou?

JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
    CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


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