quarta-feira, 14 de março de 2012

O ABORTO e a TARTARUGA


Ontem postei  no facebook um artigo chamado Monumento à Criança Não Nascida  do site Aborto em Portugal e logo um dos meus irmãos, que é favorável ao aborto deixou um comentário, digamos assim, um tanto quanto jocoso.  Respondi  com certa ironia ao seu comentário ao que ele retrucou com outra "brincadeirinha". igualmente irônica. Em seguida familiares, talvez  preocupados com a possibilidade de uma discussão familiar virtual,   trataram logo de colocar panos quentes com  comentários do tipo "deixa  isso pra  lá".

O que eles não sabem é que  eu e meu irmão defensor do aborto  já discutimos  sobre muitos assuntos  via "bate-papos" on-line (ele mora em São Paulo e eu no Paraná).  Considero extremamente saudável conversas como as nossas,  especialmente porque nenhum de nós perde o respeito e o carinho pelo outro,  apesar de nossas diferenças filosóficas!

Em tempo: As trocas de opiniões acontecem porque sendo eu cristã  convicta e ele  agnóstico vez ou outra  ele me questiona a respeito das coisas que escrevo. Aí,  já viu, né? 

Vamos então aos tais comentários do facebook:

Comentário nr.1  do oficialmente ex-cunhado (e extra-oficialmente ainda cunhado):
"Este é um tema muito delicado e complexo. O melhor é deixar à consciência de cada um e, claro, à lei de cada país." 

Comentário nr.2 de outro  irmão:
"Meu.. não tem mais nada de interessante prá vcs fazerem??? Vcs não querem viver mais? Vcs tem que fazer como as tartarugas...cuidem cada um da suas vidas, e viverão 100 anos."

Comentário nr 3 do meu sobrinho:
"Concordo com meu pai  e com meu tio (X)... A consciência de cada um que decida seu ponto de vista. Haja tolerância e vivam como as tartarugas"

Desde ontem fiquei com aquilo de tema delicado e complexo e com a  história da tartaruga  passeando em minha mente e então resolvi escrever aqui o que pensei a respeito, como segue:

Em um país democratico, as minorias não podem impor suas ideologias e vontades à maioria (ao menos não deveriam!) e as eleições, plebiscitos e outras formas de consultas populares são os instrumento através dos quais a vontade da maioria fica expressa e esta deve ser respeitada.

Mas como é que  ideologias e  vontades passam a existir para que possam um dia se manifestar via votos?  A única forma de que existam ideologias bem fundamentadas e vontades genuínas é por meio da  reflexão individual. Num país livre, onde o pensamento pode (ao menos deveria!) circular livremente, as opiniões  daqueles que meditam a respeito dos mais variados assuntos  podem  ser compartilhadas sempre que se desejar, e sempre na forma da lei. Compartilhar opiniões pessoais  é uma maneira de influenciar a opinião do outro, tanto para que se criem novos conceitos como para confirmar ou modificar  conceitos já estabelecidos, não importa quão delicados e complexos sejam eles.  E não é preciso ser político, artista nem escritor de renome para expressar opiniões publicamente, pois até mesmo EU! posso fazer isso através desta ferramenta chamada internet! Eu,  uma simples dona-de-casa maringaense (ex-taubateana) como fui chamada uma vez...
Ser a favor ou contra o aborto é um desses temas delicados e complexos que precisam sim de discussão e  reflexão séria pois envolve não apenas uma mudança na legislação  mas também  algo muito mais complexo como são os conceitos de ordem moral e ética com suas  inúmeras - e talvez incontáveis implicações - na área jurídica, na saúde pública, no âmbito da família, no aspecto psicológico e religioso* e etc. Isso mesmo, é assunto muito sério e não pode ser tratado levianamente, "deixando pra lá", para que seja  decidido somente por algumas cabeças pensantes (?) induzidas muitas vezes por  especialistas de certas áreas e polítcos que seguem os mais variados e obscuros interesses em alguns (talvez muuuitos) casos! O aborto precisar  sim ser tratado e repensado por todos os cidadãos!

Sou contra o aborto. Tenho inúmeros motivos para sê-lo e  não quero guardar minha opinião sobre isso  deixando para expressá-la apenas na urna no dia da eleição. Quero expor minha opinião sempre que puder, por exemplo, quando o assunto é levantado em uma reunião de amigos, quando converso sobre isso com meus  filhos, nas reuniões do Conselho de Saúde Local do qual faço parte, neste blog e nas redes sociais (twitter e facebook),  com o claro propósito de provocar uma reflexão e tentar influênciar as  pessoas com meus argumentos contra o aborto,  sempre  dentro da lei e com respeito aos que tem opinião contrária.

Por isso não vou ser como a tartaruga  que para ter vida longa se enfia  dentro do casco! A democracia não se fez com tartarugas amedrontadas, se fez com valentes que defenderam suas opiniões mesmo sob o risco de morrerem mais cedo!

Ah, e falando em tartarugas... Existe por aí uma ONG - ou algo parecido - que defende os ovos das tartarugas marinhas! Não gostam que os ovos (futuras tartaruguinhas marinhas, dizem eles!!) sejam coletados nas praias e usados como alimento, o que consideram um crime! Assim como eles, há os que acreditam que dentro do ovo da tartaruga há uma tartaruga em desenvolvimento mas ao mesmo tempo creem que dentro do útero de uma mulher há somente um amontoado de células... Vejam só!


Como não poderia perder a oportunidade (hehehe) de tentar influênciar você leitor  favorável ao aborto, aqui está outro  post (curitinho desta vez) sobre o o tema, publicado no ano passado:


* No aspecto religioso, tenho a dizer que o que a Bíblia diz sobre o assunto nada mais é do que a defesa da vida humana, que foi defendida também pelo grego Hipócrates (460 a 377 a.C), considerado o pai da medicina.  Ele  produziu o  texto que viria a ser o juramento dos formandos em medicina, usado solenemente nas cerimônias de formatura até os dias de hoje em muitos países, inclusive no Brasil.

O texto original foi atualizado em 1948 pela Declaração de Genebra da Associação Médica Mundial, com o propósito de se mostrar social e científicamente mais próximo da atual realidade. 

Diz assim o texto original no que se refere ao aborto:

"Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva."

Diz assim a versão clássica em lingua portuguesa após a alteração:
"Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza" (grifos meu)


Fica aqui minha simples contribuição para que a consciência de cada um tenha  elementos para reflexão.

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