terça-feira, 24 de janeiro de 2012

É possível ser feliz num ônibus lotado?


Conversando com meu irmão Pablo (agnóstico, ou algo assim) sobre se é possível  sermos sempre felizes ou não, eu tentava lhe explicar que eu sou sempre feliz,  mesmo quando as circunstâncias não são as melhores. 







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Maria Isabel Sáenz de Zumarán Medeiros


Ele argumentava que não dá para ser  feliz num país como este, explorado pelos Estados Unidos e com um povo  sem cultura e eu  lhe dizia que não importa o lugar em que vivamos, nós podemos ser felizes sempre. Mas, não teve jeito! Ele não compreende que é possível sermos  felizes em qualquer situação sem que isso signifique sermos acomodados, indiferentes às questões políticas, etc., e acabei desistindo. Não dá. Quem não conhece Jesus   não sabe que  os cristãos vêem motivos de gratidão em todas as circunstâncias, mesmo nas circunstâncias adversas. 

Enquanto falávamos me veio à memória uma viagem que fiz  ao Uruguay, terra dos meus pais,  juntamente com minha mãe e irmã, quando eu tinha 20 anos.  

Aquela foi uma viagem de despedida para minha mãe, pois ela já lutava contra o câncer que tirou sua vida um ano mais tarde. Um dia nós três  fomos com algumas tias e primos, visitar uma irmã de minha mãe,  a Tia Cuca, que morava em uma chácara  bem longe da cidade . Ali passamos uma tarde alegre, entre conversas e xícaras e mais xícaras de chá, scones, biscoitos e bolos! Havia feito um dia de muito calor, talvez uns 40 graus, ou mais,  e mesmo assim as crianças mais novas brincavam ao sol, corriam e suavam até ficarem exaustas! Antes de escurecer decidimos voltar como havíamos ido - de ônibus - e entre risos, conversas e a correria das crianças fomos até o ponto mais próximo por uma estradinha de terra.  Quando o ônibus chegou quase tivemos um treco: Estava lotado!  E assim, com alguns  "dá licença"... "dá uma licencinha"... e depois de alguns  empurrões e caras feias dos passageiros finalmente entramos todos!

Ficamos  em pé no corredor, literalmente espremidos! As janelas abriam somente alguns poucos centímetros e pelas pequenas frestas entrava uma ínfima brisa que ninguém parecia notar! Meus parentes  transpiravam e reclamavam sem parar do calor, do aperto, da falta de ônibus naquela linha,  das janelas pequenas, etc.  Minha mãe em pé ao meu lado,  se segurava em mim como podia e eu, mais alta que ela,  me segurava firme nas alças que pendiam do teto. Mas não reclamava. Estava feliz por estar ali depois daquela tarde deliciosa,   com minha mãe, irmã, tias,  primos e primas! Não me queixava de nada, só curtindo o ínfimo ventinho que entrava pelas pequenas frestas das janelas! Estranhava o fato de que as outras pessoas não notassem aquela  leve brisa que trazia algum alívio àquele calorão e só se preocupavam em reclamar da situação...

Quis compartilhar o prazer que sentia  com aquele ventinho refrescante e comentei com minha mãe:
- Mamãe, sente que delícia que é este ventinho!! 

Ela então me olhou  profundamente  e disse com um sorriso tão doce, uma frase da qual jamais me
esqueci, e que fiz valer por todos os dias da minha vida,  independente das circunstâncias pelas quais tenho que passar:
- "'Es asi mi  Chabelita'* , sempre vê  algo lindo em tudo!"  E ficamos nós duas ali, curtindo nosso "ventinho particular", enquanto todos se debatiam com o calor e o aperto, que para nós duas  pareciam  nem existir!

Pelo que contei, você percebe que desde sempre eu tive uma inclinação para ver algo de bom nas circunstâncias ruins, mas  imagine como sou eu agora, depois que conheci Jesus! Naquela viagem de ônibus eu não sabia, mas agora sei,  que os "ventinhos  que entram pela janela" estão presentes em todas as circunstâncias  de nossa vida, mesmo as mais adversas,  porque  Deus é quem os coloca ali por amor a nós, para aliviar nossas cargas, só que muitos não conseguem sentir...


"Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação." 

Habacuque 3:17-18   NVI
(Grifo meu)


A expressão "Es asi mi  Chabelita*" dita por minha mãe naquela ocasião, faz parte de um verso de um poema chamado "Como es Margot"de Juan de Dios Peza.  Nela o autor  descreve como seus três filhos, Juan, Maria e Margot,  se comportam em uma loja de brinquedos. Enquanto Juan e Maria querem isto, aquilo e aquilo outro, Margarita não diz nada, apenas observa, e quando o pai pergunta o que vai querer, ela apenas  responde:

- Eu papai? O que quiseres....

Abaixo a estrofe do poema  ES ASÍ MI MARGARITA
-¡Pobrecita! ¡Pobrecita!                      
Dije, y la besé en la frente. ..              
Y no exagero: realmente                    
Es asi mi Margarita.

Tradução:

 É ASSIM MINHA MARGARITA

- Coitadinha, coitadinha!
Eu disse. E beijei sua testa...
E não exagero: Realmente
É assim minha Margarita. 
                           
*Chabelita é meu apelido de família

-> Leia  o poema completo  COMO ES MARGOT


2 comentários:

Pablo disse...

HAHAHAHAHA

O episódio é bom e foi bem contado. Mas qdo vc quiser me citar, acho mais justo vc começar com as palavras "Pelo q *EU* entendi…". Pq pô, né?

:•D

Maria Isabel disse...

Ok Pablo!! rsrsrs Então vamos lá: "Pelo que ENTENDI da conversa que tive com meu irmão Pablo", etc e tal... Porém - sempre há um porém - vc não compartilha comigo da idéia de que podemos ser felizes mesmo em situações controversas, tanto que pelo que me lembro (ãh...agora sim!) vc disse algo como que isso era o mesmo que ser acomodado! e eu retruquei e vc idem, e aí...por aí foi, e etc... etc... Mas valeu pela observação! Da próxima vez acertooo!! bj!

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