segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Um velório...e tantos sentimentos...

Na 6a. feira pela manhã um telefonema, e uma  notícia muito, muito triste. A Mari havia falecido após 8 meses de lutar contra o câncer. Casada com o Luis, mãe da Daniela (17) e da Eduarda (13) amigas dos nossos filhos.
Passei a noite com meus filhos Luiza e  Pedro no velório, juntamente com alguns parentes e amigos da família.
Enquanto as horas se passavam , experimentei alguns sentimentos...




Tristeza. Sim, fiquei muito triste. Quem não ficaria ao ver a dor daquele esposo, que terá que seguir caminhando só? Ao ver suas meninas que terão que reaprender a viver sem a mãe querida por perto? Não há palavras que expressem o tamanho dessa tristeza...
Saudades. Saudades da minha mãe, que se foi quando eu tinha 22 anos. Muitas lembranças dela iam e vinham, algumas das quais nem sabia que estavam ainda guardadas em mim...
Paz.  Senti paz, mas não por causa do lugar tranquilo, do ambiente cuidado e confortável ou  do silêncio que predominava na madrugada. Senti paz por saber que o dia em que a morte chegar em minha casa, e um dia ela chegará, nós vamos poder ser carregados nos braços do Senhor, e confortados pela família da fé, assim como aconteceu com a família da Mari.

Mas o sentimento que se sobrepôs aos outros foi o de gratidão!
Gratidão por  pertencer à família cristã e ver que entre tantos adultos, amigas da escola e muitos adolescentes e jovens da igreja, que desde a tarde da sexta-feira, provavelmente cansados dos estudos ou do trabalho,  foram até ali. Gratidão por outros jovens que ficaram  até as 3h, 4h da madrugada e também  pelos  que permaneceram a noite toda. Foi bonito ver aquele "abraço gigante", envolvendo as amigas com sua presença num sinal de amizade verdadeira e amor fraternal.  Expressar amor pelos amigos quando tudo é festa é para qualquer um, especialmente nestes tempos em que a expressão "Te Amo" é tão banalizada,  mas demonstrar  AMOR  no momento difícil, e permanecer junto,  é para poucos. Ver especialmente os  amigos e amigas que podiam ir para casa, mas decidiram ficar e esperar  que a madrugada triste passasse me fez sentir gratidão pela demonstração de que amigos de verdade existem!
Gratidão por ver o cuidado dos nossos pastores, preocupados em não deixá-los sós nem por um momento. A equipe pastoral e os seminaristas tiveram o cuidado de se revezar para que sempre houvesse alguém presente. Ah, como me senti grata por ver esse cuidado com as "ovelhas"!
Gratidão por essa família, que apesar da perda da esposa e mãe, não perdeu a fé, não perdeu a esperança, não perdeu a razão de viver. Eles sabem que a Mari venceu, apesar da doença. Venceu porque completou o propósito para o qual foi criada - o de adorar a Deus em todo tempo até que chegasse o dia de encontrar-se com Jesus face a face. Que gratidão presenciar que no momento mais difícil de suas vidas, essa família adorou o nome do Senhor e essa é   verdadeira adoração.
Gratidão pela serenidade do pai e das meninas, visível entre  lágrimas e expressões de angústia e dor, serenidade sentida em suas vozes embargadas que entoavam  louvores, serenidade em tantos abraços recebidos que de tão apertados pareciam querer extrair  um pouquinho da dor de seus corações. Quem poderia  sentir-se tão triste e tão sereno ao mesmo tempo se não  aquele que conhece a Jesus?

Essa serenidade é a expressão da certeza do cristão de  que não pertence a este mundo e que um dia vai se encontrar com a Mari nos céus, e isso é crer na  Palavra de Deus que diz: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." João 3:16

"Óh Senhor, eu te agradeço pela vida da Mari, pela serva que Tu chamastes para perto de Ti, pelo exemplo de vida cristã que deixou, por suas filhas queridas e por seu esposo. É bom saber que serão consolados por Ti  e que Tu lhes renovarás as forças dia-a-dia. Mas Pai, quero Te agradecer  também pela oportunidade que me destes de, através dessa família, sentir tanta GRATIDÃO!"


    Leia também ->  Quando chega a tempestade



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