sexta-feira, 1 de outubro de 2010

LUTO

Estamos de "luto"!

Passei boa parte da noite num "velório" com minha filha.

Hoje estamos tristes.
Minha filha e eu.

Foi a morte de um sonho.






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Maria Isabel Sáenz de Zumarán Medeiros

Um "lindo sonho" morreu ontem à noite.
Quando anunciei a sua morte à minha filha, sua  primeira reação foi de  surpresa!
Os olhos se arregalaram num "é mesmo, mãe?" e depois um sorriso de "ah, não tô acreditando, você tá brincando comigo", surgiu em seu rosto.
Então  mostrei o "atestado de óbito": a tela do computador onde estava confirmanda  a morte.
O sorriso desconfiado foi trocado por  uma careta de dor e os olhos que queriam  permanecer secos tiveram que se render às lágrimas que começavam a surgir.

-  É verdade sim minha filha...Eu acho, querida, que você vai ter que enterrar seu "lindo sonho". Vamos, eu te ajudo nisso.

Foi um período difícil de  "velório" - esse momento terrível em que  o morto ainda está conosco, mas já não é mais nosso.
Fazendo-me forte (estava com uma vontade de chorar feito criança) eu a ajudei a atravessar as primeiras horas da madrugada.

(Porque será que os velórios durante a madrugada parecem mais tristes que os outros)?
 
Velar "sonho" é muuuito triste...
A mente se enche dos flashes de momentos  vividos com o "sonho", se sente o perfume do "sonho", lembra-se das promessas que aquele "sonho" parecia prometer.
Mas não eram promessas...eram apenas sonhos!
Os olhos dela resistiam.
Não queriam se fechar - receio de dormir e se separar do "sonho" por um tempo e depois ao acordar, levar um baque forte no peito ao ver que a morte do "lindo sonho" não havia sido um sonho!
Era real.
Melhor ficar acordada diante da separação inexorável que se aproximava.
A mente procurando distração para aliviar a tristeza: pedaços de seriado na TV, trechos de músicas no PC,  chá e biscoitos...porém,  a presença daquele "sonho" sem vida não dava folga e confirmava:
Morreu!

Por fim, eu já cansada  deixei-a "velando seu sonho", e fui  me deitar com uma dor tremenda no peito, uma dor que só as mães são capazes de sentir ao verem um  filho sofrendo.
E deitada imaginava a luta que se travava no coraçãozinho sofredor que há pouco recebera de Deus um silencioso, dolorido  e enorme  NÃO!
Imaginava-a questionando Deus:

- Caramba Deus, eu fiz tudo tão certinho! Orei,  jejuei, confiei em Ti, e o Senhor vai me deixar na mão?? Porque Deus? Porque?

Quando me levantei hoje pela manhã, vi minha filha dormindo. Que alívio!
Deixei seu quarto em silêncio e horas depois, quando a acordei, estava tão triste, doída, sem querer despertar para não ter que enfrentar a inevitável despedida.

-Vamos querida, levante-se! Vamos conversar um pouco e depois, você  precisará enterrar  seu "lindo sonho" devolvendo-o a Deus. Ele foi apenas um empréstimo do Pai  para te fazer crescer. 

Foi o que ela fez. Ali sozinha no quarto, orou entregando a Deus sua dor e colocou sobre seu "sonho" uma lápide.
Lápide feita de esperança.
Esperança de que em breve Deus lhe dará um outro "sonho"  ainda  mais lindo e que se tornará  real!

Estamos de luto é verdade. Mas com a certeza de que

"Ao anoitecer, pode vir o choro,
mas a alegria vem pela manhã."
Salmo 30.5

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