quinta-feira, 29 de julho de 2010

Palmadinhas... pode?

Cresci num lar com mais cinco irmãos, tenho quatro filhos, hoje  com 14, 15, 17 e 19 anos,   ajudei a criar  dois sobrinhos (hoje adultos) durante alguns anos, para que minha irmã pudesse trabalhar. Também tive contato com várias crianças (fui professora de escola bíblica de pré-adolescentes por 7 anos); participei de seminários e congressos sobre família e li  inúmeros  livros e revistas cristãs e seculares sobre educação infantil.
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                           Maria Isabel Sáenz de Zumarán Medeiros

É pouca experiência,  mas ao menos me sinto confortável para opinar sobre o tema que tomou conta da mídia alguns dias atrás:  O projeto de lei que pretende modificar o Estatuto da Criança e do Adolescente em seu artigo 18.  Porém o que me deixa mais confortável  não vem da experiência com crianças, do número  de filhos ou  dos livros que li. Vem  do fato de estar colhendo bons resultados na formação dos  nossos filhos  em  consequencia dos método  que empregamos em sua educação, e que difere totalmente da forma como eu e meus irmãos fomos criados, apesar de que em ambas as formas foi empregado o castigo corporal, que o novo  projeto define como  "ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso de FORÇA FÍSICA que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente" (grifo meu) e que  por essa razão os pais não deverão mais  usar castigos corporais  na educação dos filhos.

USO DA FORÇA FÍSICA

Meu pai era um uruguaio alto, forte,  inteligente e muito culto, mas extremamente  bravo, agressivo e muitas vezes violento, provavelmente porque também careceu de bons exemplos, de afeto e uma boa orientação em sua infância e juventude. Quando o irritavámos - e seis crianças dão sempre motivos para irritar seus pais!-  pegava seu cinturão que chamava de "látego",  nos mandava abaixar as calças e debruçar na cama  com o "bumbum de fora" virado prá cima, e descía  a cinta com toda a força de seu braço. Ficávamos com fortes vergões no traseiro e nas pernas! Recebíamos cascudos terríveis durante as refeições  quando não segurávamos os  talheres do jeito certo ou quando apoiávamos os cotovelos na mesa; belicões doloridos que deixavam marcas roxas nos braços, tapas, safanões, puxões de orelhas  e até socos! Usava também a "cachiporra", um cacetete de borracha, em nossas pernas e braços (acho que por ser  muito inteligente nunca nos bateu com ela na cabeça!!).  Humilhações, ofensas e palavras de desprezo doíam na alma, e eu as ouvia muitas vezes na frente de minhas amigas. Lembro de todas elas, mas não me lembro de momentos de afeto e nenhuma lembrança de palavras de amor e admiração vindas dele. 

"Educar" filhos com agressividade física e/ou verbal   não tem nenhum valor positivo, ao contrário, gera filhos com baixa auto-estima,  medrosos e  inseguros e apesar de todos os xingamentos e surras recebidas  faziamos  muitas coisas erradas pois tinhamos  nossos valores morais distorcidos e não podiamos distinguir entre o certo e o errado. Creio até que Deus foi muito bondoso conosco nos livrando de "poucas e boas," apesar de alguns sustos! Concordo que pais violentos destroem vidas de jovenzinhos, vidas  que poderiam  ter sido lindas mas  foram transformadas em vidas medíocres!  Estou certa de que essa  lei tem o propósito de impedir esse tipo de conduta e outras  ainda muito piores, porém seus autores desconhecem que ao tentar limitar os abusos estarão também impedindo que os  filhos recebam uma  disciplina amorosa e construtiva, como a disciplina que eu e meu marido empregamos na educação dos nossos filhos e que é empregada por muitos pais cristãos, com sucesso: a disciplina da "vara da correção de Deus!

USO DA VARA DA CORREÇÃO

Calma! Não se assuste! Não estou falando de ramos de árvores, nem de pedaços de pau, mas de varinha. Varinha fina, lisa, que se consegue desbastando um raminho de árvore qualquer.  Quando utilizada com sabedoria, produz  bons frutos: senso de justiça, obediência às regras dos pais e da sociedade, comportamento adequado em qualquer ambiente. Em suma, produz bons filhos e bons cidadãos, algo nem sempre alcançado em outro tipo de educação, mesmo  na  de adeptos apenas da "boa conversa". (Estou ainda por  descobrir como é que se tem  uma "boa conversa" com uma criança de quase dois anos...).
- Mas como utilizar com sabedoria uma varinha? Não é só bater com ela quando a criança apronta? 
Não, a vara não deve ser usada de qualquer forma e por qualquer motivo. Antes é preciso entender um princípio  da mente e do coração da criança, bem explicado na frase de John M. Drescher

"Lembranças agradáveis devem acompanhar fatos e lições que desejamos ensinar, 
ou o ensino se tornará ineficaz". 

Sempre que for ensinar algo a seu filho faça-o da forma mais agradável possível e ele jamais se esquecerá. da lição.  Gestos como um abraço antes e depois do "ensino",   uma caminhada na parque, um sorvete na pracinha ou deitar-se ao seu lado antes de dormir, marcam o ensino transmitido de uma maneira extremamente eficaz. O contrário disso - ensinos transmitidos em meio a um clima de raiva e nervosismo ou em longos e severos sermões - não são assimilados, apenas obedecidos devido ao medo de surras e ameaças. Mas, e quando esse medo deixar de existir? Se os pais morrem ou se separam ou se o jovem decide estudar fora, por exemplo,   as lições não assimiladaa se manifestarão  de formas indesejáveis: uso de drogas, violência,  corrupção, promiscuidade, etc.

Crianças normais desobedecem e desafiam a autoridade dos pais , mesmo de pais amorosos e sábios. Faz parte de sua natureza querer abrir espaço para si mesmas transpondo limites e regras  e cabe aos pais trazê-las de volta para dentro dos limites de forma amorosa,  e não com gritos raivosos ou berros proferidos à distância do outro cômoda da casa, batendo nos filhos com objetos, usando  força física ou  maus tratos psicológicos.

Uma boa maneira de corrigir um comportamento inadequado é seguir estas dicas:  olhe nos olhos de seu filho - se possível abaixe-se para ficar no mesmo nível - diga o que tem a dizer com voz firme, porém tranquila, dizendo exatamente qual instrução ele transgrediu para que ele saiba qual a razão do uso da vara  que deve vir logo a seguir (caso a transgressão tenha sido proposital)

- Mas como vou saber quando a vara deve ser usada? - você pergunta.

Vou responder como e quando usar a vara mas antes, uma advertência:

Cuidado:  Desobediencia é diferente de atitudes impensadas ou incidentes como derramar o leite no chão por acaso ou  derrubar o vaso da sala porque tropeçou no tapete sem querer.  A vara deve ser usada apenas em situações sobre as quais a criança tenha sido  advertida  anteriormente.  Isso porque crianças agem por impulso na maioria das vezes e como a todo momento surgem novos eventos em suas vidinhas, sobre os quais elas não tem a maturidade e nem o tempo necessário de reflexão para decidir se serão ou não aprovadas por seus pais, cometem erros, dizem coisas que não devem,  tomam  atitudes erradas, etc. e não é justo que sejam castigadas por coisas sobre as quais nunca haviam sido advertidas!

Sabendo disso,imagine  agora que mesmo após a criança ter sido ensinada e advertida sobre o uso da vara em caso de desobediência ela  desobedeça deliberadamente.  Aí então é que entra a varinha. 

Chame então seu filho para longe de outras pessoas, diga-lhe  c-a-l-m-a-m-e-n-t-e que o ama muito e que deseja que  seja  sempre feliz e que apesar de não se alegrar com isso,  terá que discipliná-lo com a vara por causa de sua transgressão. Diga  isso olhando-o nos olhos, com a voz serena (claro  que antes  você terá que esperar baixar  teu  nível de adrenalina provocada pela desobediencia dela,  caso contrário a tua voz trasmitirá irritação ou raiva). Uma ou duas varadinhas nas coxas é o suficiente.  Não é necessário empregar FORÇA FÍSICA, basta abaixar o braço num movimento firme e rápido, suave o suficiente para não machucar, porém  forte o suficiente para que arda! E olha que arde mesmo! E  eu garanto que para evitar esse "ardor santo" a criança deixará de cometer a mesma desobediência   mais rápido do que imagina, talvez uma, ou duas vezes no máximo,  e terá aprendido a lição definitivamente. É possível que chore um pouco, afinal, dói nas pernas, mas dói  ainda mais na consciência, pois ela sabe que apanhou  justamente!

Teu filho também sabe  que houve amor na aplicação dessa disciplina, porque foi você mesmo que  lhe disse que o amava antes de aplicar-lhe a vara. Se você é um pai ou uma mãe em quem ele confia (já que espero que você nunca minta a seu filho...) ele não guardará mágoa quando você o disciplinar com a "varinha da correção de Deus". Sabe porque? Porque ele confia em você e sabe que essa correçao foi mais uma demonstração do  amor que sente por ele, entre tantas outras demonstrações de amor que você lhe dá! Acredite, ele é capaz de sentir seu amor quando é corrigido justamente! Mas lembre-se também de explicar que usa  a vara porque  foi Deus quem lhe disse que deve usá-la. e se lhe mostrar na  própria Bíblia as passagens a respeito da vara  você, e a  varinha,  terão uma credibilidade e tanto!

Foi assim que educamos nossos  filhos: com a vara da correção de Deus.

QUER SABER SE FUNCIONOU?

Em 2005 nos mudamos para Taubaté onde moram outros irmãos casados, que até então nunca haviam convivido com nossos filhos, e por isso não os conheciam bem. Quando uma  das cunhadas  soube que iriamos para lá, ao conversar com a vizinha da casa onde nós iriamos morar, disse-lhe que se preparasse  pois com crianças dos 9 aos 14 anos certamente ia ser aquela confusão! Era o esperado. É o esperado de quem cria  filhos sem a vara da disciplina do Senhor! E ainda por cima quatro deles!

Alguns  meses depois da nossa ida para lá essa mesma cunhada me telefonou um dia perguntando como é que eu fazia para que meus filhos fossem tão obedientes, pois estava tendo alguns problemas de disciplina com seu  pequeno filho!  E posso ainda garantir que nossa vizinha jamais foi perturbada pelos novos vizinhozinhos

 As instruções bíblicas para os pais e  as dicas e exemplos de homens e mulheres de Deus no início da nossa caminhada cristã foram instrumentos de Deus que utilizamos  para educá-los e  hoje  eles são garotas e rapazes tranquilos, que respeitam as regras de qualquer lugar, são alegres, divertidos e barulhentos mas são gentis, honestos e comportados, e posso garantir que,  apesar dos períodos um tanto difíceis da adolescencia, estão se saindo muito bem. 

O que faz a diferença não é deixar de usar castigo corporal. O que faz a diferença é o amor empregado nele.  Claro, todas as mães dirão: "Ah, mas eu amo muito meus filhos!" Não é a esse amor  que me refiro - o amor materno -  mas ao amor de Deus. Quem não conhece esse amor, quem não aplica esse amor em seus relacionamentos e atitudes, quem não educa com esse amor  não está sabendo amar. Quem não conhece a Deus é incapaz de amar como convém simplesmente porque Deus é AMOR e sendo AMOR, Ele é a fonte de onde vem o  verdadeiro amor!!

Meu pai nunca conheceu a Deus, apesar de crer Nele. Eu o perdoei por todas as surras que levei pois sei que  ele não conhecia outra forma de educar seus seis filhos, como tantos pais e mães que, segundo a tal Lei da Palmada,  precisam ser domesticados pela lei para não maltratar seus filhos, quando o melhor seria que fossem instruídos por Deus para bem educá-los!

Foi Ele, Deus Criador, quem fez cada ser humano no ventre de sua mãe e conhece cada uma de suas necessidades físicas, emocionais
e espirituais.  Como  então  Ele não saberia a maneira certa de os pais cuidarem de seus próprios filhos, se Ele mesmo, pai amoroso que é, por vezes usa de dura disciplina (lutas e tribulações) para que nós adultos aprendamos a  obedecê-lo e a fazer  Sua vontade?

ALGUMAS PASSAGENS BÍBLICAS SOBRE DISCIPLINA

"A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe... corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias a tua alma". Provérbios 29.15-17

"Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá". Provérbios 23.13

"O que retém a vara, aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina". Provérbios 13.24

"A tolice está ligada ao coração da criança mas a vara da disciplina a afastará dela". Provérbios 22.15

"Pois o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe"." Hebreus 12.6

"Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que tem sido por ela exercitados, fruto de justiça". Hebreus 12.11




IMPORTANTE
A vara da correção não produzirá os frutos acima se não for acompanhada de bons exemplos dos pais. 
Não de bons discursos  mas da prática  diária dos ensinamentos transmitidos. 








Um comentário:

Márcia disse...

Achei a mensagem abençoadora. Será muito útil para casais que já nos perguntaram a respeito. Irmãos da nossa célula, com filhos pequenos e, que estão em um conflito muito grande em relação ao uso da vara. Parabéns Izabel! Seu texto é claro, objetivo e envolvente. Um grande abraço, Márcia Marussi

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