segunda-feira, 3 de maio de 2010

... O ANDAR DA CARRUAGEM..


Ter filhos é ter que se adaptar, praticamente os 7 dias da semana!  Mas não é só por causa das preocupações e cuidados que temos que ter com eles, mas também por causa das mudanças que acontecem. E se a gente não acompanhar, não entender ou não aceitar essas mudanças vamos é ficar pelo meio do caminho, feridos, correndo o risco de nos  afastarmos de  seus corações, que seguirão adiante, mudando  inexoravelmente...
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Maria Isabel Sáenz de Zumarán Medeiros


Uma das mudanças mais difíceis de aceitar é que quando chegam aos  13, 14 anos  eles já não curtem estar conosco como antes, quando ficar por perto da gente era tudo o que importava - não importa fazendo o quê. Qualquer coisa era bom. Mas depois... Ah, depois a vontade de estar com os amigos ou de ficar  sozinhos mesmo, fazendo suas coisas (ou até  fazendo nada, simplesmente sonhando acordados)   substitui a necessidade de estar com os pais, como antes. 

Percebo essa mudança em cada um dos meus quatro filhos. Até bem pouco tempo, por exemplo, fazer um convite para ir comigo à pé até a padaria ou até o mercadinho era uma festa! Disputavam quem é que iria daquela vez e nenhum queria que outro irmão fosse junto,  para ter exclusividade total e sentir-se especial , como se fossem filhos  únicos só por por alguns momentos.  No caminho íamos tagarelando sobre uma porção de coisas:  a esquisitice de alguma casa, como  o Sr. Edson  tinha ficado nervoso com a bola que caiu no seu quintal,   o porquê da Da. Socorro viver sem sair de casa para nada. Também  pdiamos contar  casas pintadas de azul , falar mais uma vez sobre o último passeio da escola ou ir decidindo o que comprariamos de gostoso para o lanche daquela tarde. Para eles era "tudo de bom" quando  ficavamos abraçadinhos enquanto a moça dos frios fatiava os 200 gr. de  salame (e já reparou como é demorado fatiar salames?!) e depois voltar para casa  rolando um pirulito-bola na boca.  Mas agora... ir até o mercadinho comigo só para dar uma voltinha? Nem pensar! Quer ver só?

Numa linda manhã de sábado descobri que o sal da cozinha havia acabado.  Poderia até ter mandado algum dos filhos  comprar um pacote, mas o dia estava tão bonito que fiquei com vontade de ir eu mesma, mas não sozinha, claro! Adoraria a companhia de algum deles e comecei convidando o  filho que estava mais próximo para ir comigo. Recebi um "não quero" tão taxativo, que perdi a coragem de dar mais  uma insistidinha e fui perguntar ao segundo  filho, que era uma filha. A resposta foi  um pouco diferente, mas que no fundo queria  dizer a mesma coisa: "Ah, só se for para ir de carro! A pé eu não vou!" Me digam, qual  é a graça de ir de carro e voltar em 5 minutos?

Tentei a outra filha, e... nada de conseguir um acompanhante. Se bem que essa até tentou uma negociaçãozinha: "Se você me comprar um chocolate, até vou com você!" Pensei comigo:
"Ah não, assim já é demais! Não estou à venda!" Chateada respondi  que  já que era pelo chocolate então  nem precisava ir. A esperança foi o último filho. Cheguei perto mas fiz logo meia-volta, porque não dava para concorrer com o seriado que estava no  auge do suspense e não haveria voltinha no mundo que o fizesse  deixar para depois o final do episódio.

Fui sozinha mesmo, meio querendo não ficar triste mas já ficando,  por constatar que eles estão crescendo e  estão se s-e-p-a-r-a-n-d-o de mim. O dia estava lindo e  fiz o possível para aproveitar a caminhada,  procurando entender que assim é o andar da carruagem e já que  não dá para congelar os filhos na infância o jeito é entender e aceitar  essas mudanças na boa, sem ficar magoada com eles. Voltei para casa com  a compra feita e com o maior dos sorrisos no rosto num esforço para aparentar que estava tudo certo comigo.   Não estava ainda, mas  logo estaria, porque eu podia ouvir a Deus me dizendo, como dizem as mães diante de um joelho ralado: "Vai passar já, já, viu?".  E passou. Mais rápido do que eu pensava,  porque quando me viu chegando, a Luiza, minha filha mais velha, me  disse do alto de sua sabedoria dos 17 anos": "Mãe, não fica chateada não... os adolescentes são assim mesmo..."

É, eles são assim mesmo, mas também precisam  saber  que nós sempre precisaremos de sua companhia, de seus risos, de suas tagarelices, de saber suas novidades e de... ir com eles a pé até o mercadinho do bairro de vez em quando.

-Tudo bem querida - respondi - eu entendo! Mas bem que poderiam deixar de ser "tão adolescentes" de vez em quando,  né? Sabe porque? Porque nós, os pais, somos assim mesmo... vamos sempre amar estar com vocês!

Acho que desta vez consegui acompanhar a carruagem...

Um comentário:

Eloisa Guimarães disse...

É verdade mesmo, Isabel! Lá em casa tem sobrinhos de todas as fases: 24, 23, 19, 15, 12 e 4! Lendo agora o seu texto, tudo faz muito sentido!! rsrs...
Beijos ♥

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