quinta-feira, 27 de maio de 2010

VOCÊ JÁ ACHOU UMA FAMÍLIA PARA MIM?


Concordo que devemos respeitar os gays e sua opção de vida, mesmo que pessoalmente não aprovemos esse comportamento, mas me recuso a aceitar a adoção de crianças por casais gays. Em apoio ao que os gays consideram ser um direito seu de formar uma "família" juízes  lhes concedem o direito de adoção em detrimento de casais heterossexuais que, como eles,  aguardam na fila de adoção. Mas, e onde está a preocupação com os direitos  da criança?  
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Maria Isabel Sáenz de Zumarán Medeiros


O que faz com que um juiz autorize  um casal de homens a adotar uma garotinha de 5 anos?
Pressão dos movimentos em defesa dos homossexuais, influência da mídia "politicamente correta", interesses do mercado de consumo por esse novo público alvo ou a falta de pressão do  MDCSA - Movimento dos Direitos das Crianças a Serem Adotada!? (Na verdade, esse movimento não existe...).

O que vem sendo discutido  é sempre sobre o direito  dos casais gays de serem   pai/mãe ou mãe/pai (não sei bem que nome dar a esses papéis). Os  que os defendem não parecem preocupados com o direito natural das crianças a serem adotadas. O direito de ter um pai e uma mãe!

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) afirma que elas tem direito à família.  Diz o art.28, parágrafo 1º do Estatuto ainda acrescenta: "Sempre que possível, a criança ou adolescente deverá ser previamente ouvido e a sua opinião devidamente considerada". Pergunte a qualquer criança que espera por uma família adotiva, com condições de responder,  como ela imagina que seja essa família e ela dirá que espera por uma família com um pai e uma mãe  e não dois pais ou duas mães. 

Agora uma criança que vive em um abrigo, poderia mudar essa resposta diante da possibilidade apresentada de  receber atenção, carinho,  de ter  seu próprio quarto, brinquedos só seus, primos, tios e avós  e de poder  lanchar no Mac Donalds uma vez ou outra.  Para uma criança que não possui nada que seja seu,  essa perspectiva   já seria motivo  suficiente para que  concordasse  com a adoção, independente de quem sejam os  adotantes, desde que, é claro, na fase pré-adoção tenha sentido empatia pelos futuros pais (2 homens) ou  mães (2 mulheres).

Essa fase, na qual a criança passa alguns finais-de-semana com o(s) candidato(s) à adoção, é como a de um namoro onde tudo é muito lindo, onde há muito afeto, respeito, presentes, passeios e promessas. Mas, quantos já não se desiludiram  diante da realidade da vida-a-dois  que dissolveu aquela    nuvem cor-de-rosa do período de namoro? Com a fase pré-adoção não é diferente! Em pouco tempo essa criança estará  sentindo na pele, ou melhor, no  coração, como os outros vêem aquele que tem dois papais ou duas mamães.  Se sentirá diferente, sabe porque?  Porque a  figura de um pai  para uma criança será sempre a de um homem-homem e a de uma mãe será sempre a de uma mulher-mulher. Não adiante querer reinventar a roda. Ela será sempre redonda!

Parquinho no Lar Abdon Batista, em Joinville-SC
A luta que os legisladores deveriam travar não é a de entregar crianças para serem adotadas por  homossexuais mas sim uma luta para fazer com que a “fila da adoção ande mais rápido”  e para  que se consiga  excelência nos abrigos!

Estou convencida de que viver o menor tempo possível em uma boa instituição traz menos danos psicológicos a uma criança do que a de ser adotada por casais gays,

É inevitável - e normal -  nos casos de adoção, especialmente de adoção tardia, que as  pessoas principalmente  as outras crianças com as quais o adotado convive (primos, vizinhos, colegas de escola ou da igreja)  mostrem curiosidade por sua história da adoção. Mas  isso não dói  nelas, caso um bom trabalho tenha sido feito  para que enfrentem essa curiosidade com naturalidade.

(O  Art. 227. de nossa Constituição diz que : É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.) Como fica então esse parágrafo no caso de crianças adotadas por gays? Ignora-se  essa parte ou finge-se que não existe discriminação? Esta-se fazendo de conta que essa realidade não existe, mas ela existe sim!
               
Meu ponto de vista vem não só da própria  experiência  de ter uma  filha de 15 anos, adotada aos 8,  mas também pelo conhecimento sobre o assunto por ter participado de muitas reuniões de pais adotivos e lido diversos livros e publicações sobre  o assunto.  Afirmo que, quando outras crianças descobrem, muitas vezes por minha própria filha,  sobre sua adoção, fazem todo tipo de perguntas: Como é viver num abrigo? O que aconteceu com teus pais biológicos? Você conheceu tua mãe? Como é o relacionamento com teus novos irmãos? Você chama teus pais adotivos de pai e de mãe? Porque eles quiseram te adotar? Ela  responde a tudo sempre com naturalidade pois sente-se orgulhosa  por ter ganho pai, mãe e irmãos e parentes, ou seja  uma família como ela havia sonhado. Nestes 6 anos jamais foi desprezada ou  se afastaram dela por ser filha adotiva. Mas, e se tivesse pais gays, como teria sido? Já não bastariam  tantas áreas a que ela  teve que se adaptar, que causaram  inevitavelmente  algum sofrimento emocional? Pensam que é facil a adaptação aos novos pais, irmãos e parentes, ao aprendizado de novos hábitos, à integração a uma escola nova, à dor causada por    separações de amiguinhos, professores, em alguns casos, como foi a da nossa filha,  até de  irmãos e  parentes? Eu afirmo - quem nos conhece sabe disso - que há muitos obstáculos a serem transpostos que exigem muito esforço e paciência, especialmente por parte da criança adotada!

Fico imaginando quantas perguntas constrangedoras uma  criança adotada por um  casal gay teria que enfrentar! Mesmo que a escola, por exemplo, fizesse  tudo o que estivesse a seu alcance para evitar constrangimentos não poderia  impedir que outras  crianças estranhassem o fato de aparecer um pai gay na festinha do Dia das Mães para receber um   “estojo de maquillagem feito pelo filho” ou no Dia dos Pais uma mãe gay  ser  presenteada  com um cartão/gravata? Ou será que essas datas festivas  deverão ser banidas  das escolas porque os homossexuais poderão considerá-las  discriminatórias? Ou  quem sabe teremos  festas do Dia dos Pais/Mães e das Mães/Pais daqui para frente?

Quero lembrar que  individualmente gays tem adotado há muito tempo, o que considero igualmente preocupante. A aprovação da adoção por parte desse grupo de pessoas  não pode ser enfiado goela abaixo da sociedade através de leis que desrespeitam outro grupo de pessoas: o das crianças que aguardam ansiosamente por um papai e uma mamãe para poderem sentir-se vitoriosas, orgulhosas e abençoadas, como a nossa filha se sente.

Quando  ela  me viu pela primeira vez, no Lar Abdon Batista em Joinville/SC (foto à direita) eu estava acompanhada da psicóloga do forum. A Maiara correu em direção a ela, olhou-me de relance, e de um pulo se pendurou no  pescoço da psicóloga perguntando-lhe ansiosa:

- Você... já achou uma família pra mim?

Como seria essa família pela qual a Maiara tanto ansiava? Deixo esta pergunta para reflexão.

Artigo relacionado: Rasgaram a Constituição


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