quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Perdeu alguma coisa?

O setor de Achados e Perdidos do Aeroporto de Cumbica  registra aproximadamente 400 objetos esquecidos por mes nas suas dependências.


Desde dentaduras até pranchas de surf. O maior número de objetos são documentos, seguidos de peças de vestuário e aparelhos celulares. Muitos deles são recuperados.  Este ano foram recuperados pouco mais de 35% do total esquecido de janeiro a julho.
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Maria Isabel Sáenz de Zumarán Medeiros
Imagino a alegria de quem encontra  seu valioso objeto! O valor financeiro do objeto nem sempre é o que importa. Tanto pode ser um item caro como um celular  top de linha,  último lançamento no mercado,  como pode ser algo que tem apenas valor sentimental como a  sombrinha da falecida avó  ou um álbum de fotografias ou até mesmo um objeto apenas útil,  como uma... dentadura!


Em  2007 fui visitar com minha filha Luiza,  minha irmã Cati, que mora em  Londres, porém na escala que fizemos em Lisboa tivemos nossas malas extraviadas. Ao chegarmos em Londres esperamos por horas na esteira de malas e... nada!

Ficamos apenas com a frasqueira que, devido à preocupação, busca de informações, preenchimento de formulários, etc. acabou ficando esquecida em algum lugar daquele aeroporto.  Ficamos  portanto apenas com  duas  bolsas!

Foram seis intermináveis dias usando as mesmas roupas pois  não queriamos gastar adquirindo outras, na expectativa de um telefonema dizendo que finalmente as malas haviam aparecido. Um horror! Eu usava a jaqueta pouco  feminina do meu cunhado e os cachecóis da Cati - única peça do seu guarda-roupas que me servia, além da confortável e "feiosa" sandália que usei durante o vôo.  Já a Luiza teve mais sorte pois tem altura e peso similares aos da minha irmã.

Chato é rever hoje as fotos daqueles dias,  quase todas com a mesma roupas, apenas alternando - umas com e outras sem cachecol! A frustração também foi porque também extraviou-se uma maleta com algumas guloseimas das quais eles sentem muita falta em Londres:  10 espigas de milho verde e 3  vidros de palmito, além de  jornais e revistas. Finalmente, no 7o. dia ligaram dizendo que as malas seriam  entregues, exceto a maleta que jamais apareceu. Adeus milhos quentinhos, com sal e manteiga derretida...

Toda essa história de aeroportos me fez pensar que nós somos como os objetos e malas esquecidas e/ou perdidas por aí.

Nos perdemos ao longo de nossas vidas do propósito para o qual estamos neste mundo e vamos  sendo empurrados  adiante por nossas necessidades mais urgentes. Garantir o sustento é uma delas e assim o trabalho ocupa todo nosso tempo.  E se  o sustento já está garantido, somos empurrados rumo a novas conquistas sociais,  como adquir mais bens, obter fama ou conseguir mais sucesso.
                                                                                                                                                              Também podemos ser empurrados monotonamente  pela rotina: dia após dia fazendo as mesmas coisas, trabalhando direitinho para não perder o emprego, dormindo no mesmo horário, ralhando com os filhos que são "teríveis", indo ao supermercado, fazendo amor com o cônjuge mecânicamente, esperando o fim-de-semana para dar uma volta no shopping com a família. 

Ou também podermos ser levados adiante em busca de prazeres:  festas, bebidas,  viagens, sexo fácil, diversão fugaz.  E como achamos que  uma certa quota de cada uma dessas necessidades satisfeita significa VIDA, seguimos rumo à morte que nos espera no fim da linha.                                       

Vivemos esquecidos de nós, de nossos sonhos, de nossos antigos alvos, dos projetos engavetados. Ficamos perdidos no meio de nossa vida limitada, recheada de antigas  mágoas,  decepções, e erros,  acumulando outras mágoas, sofrendo novas decepções e cometendo outros erros:  não pedimos perdão, criticamos muito, julgamos sempre, condenamos tudo e todos; temos atitudes egoístas,  mentimos, somos desleais, desejamos o mal aos que nos ferem;  ficamos quietos se o balconista se engana no troco, agredimos com palavras, desprezamos os  diferentes, vivemos sem paz, somos arrogantes e auto suficientes. 
  
Perdidos do propósito para o qual nosso "dono" nos criou!  
Tal qual os objetos que permanecem esquecidos nos aeroportos por meses a fio, ocupando espaço em gavetas e prateleiras impossibilitados de exercerem a função para a qual foram feitos:  a sombrinha não mais protege  da chuva e do sol, o celular não faz nem recebe ligações e a dentadura não mastiga nada. O milho não foi saboreado e o palmito apodreceu

Deus nos criou para termos uma vida abundante, para atingirmos o alvo e não para sermos empurrados vida afora. Fomos feitos para viver debaixo de Sua  graça, recebermos Seu amor, Seu cuidado,  sentirmos a paz que só Ele pode dar,  abençoarmos outras vidas com nossa vida,  adorá-lo com nossa voz,  honrá-lo com nossas atitudes. Quantos de nós somos  resgatados das "prateleiras" da vida e somos entregues aos braços do nosso Criador,  para só então, exercermos com plenitude o papel para o qual fomos realmente criados? Opapel de filhos de Deus e não apenas de  criaturas.

A diferença de nós para aqueles objetos perdidos é a de que não ficamos  perdidos  por um descuido de Deus e sim  porque já nascemos perdidos. É só observar como uma criancinha é capaz de ser  egoísta, manhosa, agressiva, respondona, interesseira  sem que ninguém tenha lhe ensinado.

Porém Deus sempre esteve à  nossa procura. Bolou um plano para nos encontrar: o de vir Ele mesmo em forma de homem  para que fossemos  resgatados. Os  que se dispõe a conhecer seu plano, a entendê-lo e a aceitá-lo  são levados de volta aos braços do Pai,   tal qual os  objetos encontrados no aeroporto.


Enquanto não nos deixamos ser encontrados por Jesus, Deus fica como nós duas em Londres. Sem aquilo que é Seu, esperando pela ligação que dirá:  "Hoje você vai receber o que estava perdido."
Mas há os que jamais são encontrados, como nossa  maleta de espigas: ficam perdidos para sempre.

Em qual situação você se encontra?  Vai ficar até quando  na "prateleria" deste aeroporto chamado planeta Terra, esperando para ver no que vai dar?  Vai viver para sempre longe de seu dono ou vai querer ser resgatado por Jesus,  se entregando finalmente ao Criador?

(

"Porque o Filho do homem veio para buscar e salvar o que estava perdido."
                                                                        Lucas 19.10


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